Escala de Rastreamento para Dependência de Sexo (SAST)

Descrição

A Escala de Rastreamento para Dependência de Sexo (SAST) objetiva identificar prováveis casos de dependência de sexo/“comportamento sexual aditivo”, entendida como padrão persistente de perda de controle e manutenção do comportamento a despeito de consequências negativas, tomando como referência critérios diagnósticos adaptados a partir do DSM IV para dependência de sexo.

Tipo de aplicação:
Instrumento autoaplicável

Tempo médio de aplicação
10 a 15 minutos.

População-alvo
Adultos em contextos clínicos e não clínicos (17 a 58 anos).

Usos recomendados
Triagem/rastreamento inicial em serviços clínicos para casos de comportamento sexual aditivo.

Interpretação

1. Estrutura do instrumento:

Número total de itens: 25 itens

Tipo de resposta: escala dicotômica (não = 0; sim = 1)

Organização: Sem subescalas oficiais na validação brasileira

2. Conteúdos dos itens:
Preocupação sexual persistente, dificuldade de interromper, culpa/degradação, esconder comportamentos, uso de sexo para lidar com problemas, interferência familiar/ocupacional, ilegalidade (ex.: menores), histórico de abuso, tentativas malsucedidas de controle.

3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Método: soma dos itens

Pontuação possível: 0 a 25 pontos.

Pontuação 0 – 5: baixo indicativo; manter vigilância clínica se houver queixa.

Pontuação ≥ 6: triagem positiva – investigar sistematicamente critérios de dependência de sexo e impactos funcionais, incluindo risco, ilegalidade e segurança.

4. Mudança clínica e sensibilidade:
Pode ser reaplicada para monitoramento exploratório. Não há parâmetros avaliativos de mudança estabelecidos.

5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:

- Não usar isoladamente para diagnóstico; sempre complementar com entrevista clínica, avaliação de risco e dados colaterais.
- Itens sensíveis (p. ex., menores, ilegalidade) exigem manejo ético rigoroso e protocolos institucionais de proteção; considerar encaminhamentos apropriados.
- Diferenças transculturais podem afetar respostas; autores destacam a necessidade de aprofundar equivalência e dimensionalidade.

6. Sugestões para análise clínica integrada:

  1. Formulação de caso: mapear funções do comportamento sexual (alívio de afeto negativo, busca de excitação), gatilhos, padrões compulsivos, prejuízos familiares/ocupacionais e riscos legais.
  2. Planejamento terapêutico: para escores altos, considerar intervenções multicomponentes (psicoeducação sobre controle de estímulos, prevenção de recaída, manejo de impulsos/emoções; envolvimento familiar quando há interferência doméstica). Basear-se nos prejuízos relatados pelos itens de impacto (8–9, 22) e de perda de controle (7, 14–17, 24–25).
  3. Monitoramento: na ausência de métricas de mudança validadas, use a escala como indicador auxiliar (mesmo horário/contexto, intervalos regulares), interpretando variações com cautela e sempre à luz de critérios clínicos.

     

  4. Limitações principais do estudo (para ponderar na interpretação): amostra pequena e não pareada (diferenças sociodemográficas entre grupos), ausência de análise fatorial e de estabilidade temporal.

Referências

Silveira, D. X., Vieira, A. C., Palomo, V., & Silveira, E. D. (2000). Validade de critério e confiabilidade da versão brasileira de uma escala de rastreamento para dependência de sexo. Brazilian Journal of Psychiatry, 22, 04-10. https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000100003

Instruções ao paciente

Este questionário tem o propósito de ajudar profissionais de saúde mental a compreender como certos comportamentos e pensamentos relacionados à sexualidade podem estar afetando sua vida. Não há respostas “certas” ou “erradas”. O que importa é que você responda com sinceridade, de acordo com a sua experiência pessoal nos últimos 12 meses.

Nome *
Telefone *
E-mail *
Este questionário tem o propósito de ajudar profissionais de saúde mental a compreender como certos comportamentos e pensamentos relacionados à sexualidade podem estar afetando sua vida. Não há respostas “certas” ou “erradas”. O que importa é que você responda com sinceridade, de acordo com a sua experiência pessoal nos últimos 12 meses.
Você sofreu abuso sexual quando criança ou na adolescência? *
Você tem assinado ou comprado regularmente revistas ou conteúdos pornográficos? *
Seus pais tiveram problemas de ordem sexual? *
Você frequentemente se percebe preocupado com questões sexuais? *
Você acha que seu comportamento sexual não é normal? *
Sua(eu) esposa(o) ou companheira(o) se preocupa ou até mesmo reclama de seu comportamento? *
Para você é difícil interromper seu comportamento sexual mesmo sabendo que é inadequado? *
Você chega a se sentir mal por causa de sua conduta sexual? *
Sua conduta sexual já causou problemas a você ou à sua família? *
Você alguma vez buscou ajuda para lidar com comportamentos sexuais de que não gostava? *
Você já chegou a se preocupar com o fato das pessoas descobrirem a respeito de suas atividades sexuais? *
Alguém já se feriu emocionalmente devido à sua conduta sexual? *
Alguma de suas atividades sexuais é ilegal? *
Você já prometeu deixar de fazer alguma coisa relacionada ao seu comportamento sexual? *
Você já fez alguma tentativa de interromper algum aspecto de sua conduta sexual e acabou não conseguindo? *
Você tem que esconder dos outros algum aspecto de seu comportamento sexual? *
Você já tentou parar de fazer alguma coisa relacionada a sua atividade sexual? *
Você já achou que o seu comportamento sexual era degradante? *
Para você, sexo é uma forma de escapar de seus problemas? *
Você se sente deprimido após fazer sexo? *
Você já sentiu necessidade de deixar de praticar alguma forma de comportamento sexual? *
Sua atividade sexual interfere em sua vida familiar? *
Você já manteve práticas sexuais com menores de idade? *
Você sente que é controlado por seu desejo sexual? *
Você sente que seu desejo sexual é mais forte do que você? *
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Baixo indicativo para dependência de sexo

Sua pontuação sugere baixo indicativo de dependência de sexo, de acordo com esta escala de rastreamento. Isso indica que, no momento, os comportamentos sexuais relatados não apresentam sinais relevantes de compulsividade ou prejuízo funcional significativo.

Ainda assim, é importante considerar que experiências sexuais podem variar ao longo da vida, especialmente em períodos de estresse emocional, conflitos relacionais ou mudanças importantes. Caso exista sofrimento subjetivo, dúvidas ou dificuldades relacionadas à sexualidade, a avaliação clínica aprofundada continua sendo o caminho mais adequado.

Alto indicativo para dependência de sexo

Sua pontuação indica um alto indicativo para dependência de sexo, sugerindo a presença de comportamentos sexuais que podem estar associados a perda de controle, sofrimento emocional e/ou prejuízos na vida pessoal, familiar, afetiva ou profissional.

É importante destacar que este resultado não configura um diagnóstico, mas aponta a necessidade de uma avaliação clínica mais aprofundada, considerando aspectos como:
– a função do comportamento sexual (alívio emocional, compulsão, evitação);
– impactos na rotina e nos vínculos;
– presença de culpa, segredo ou tentativas repetidas de controle sem sucesso;
– possíveis situações de risco ou consequências legais.

Este instrumento não possui arquivo digital para download.