Lista de Verificação do Transtorno de Estresse Pós-Traumático para o DSM-5 (PCL-5)

Descrição

O PCL-5 avalia sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), conforme os critérios B, C, D e E do DSM-5. O instrumento foi desenvolvido para quantificar a gravidade dos sintomas, realizar triagem de casos prováveis de TEPT e monitorar a evolução clínica ao longo do tempo. É fundamentado nos modelos teóricos de resposta ao trauma descritos no DSM-5 e se alinha à nova estrutura dos transtornos relacionados a trauma e estressores.

 

Tempo médio de aplicação

5 a 10 minutos

 

População-alvo

Adultos (com base em amostras de validação brasileira com idade ≥ 18 anos)

 

Usos recomendados

Triagem clínica, apoio ao diagnóstico de TEPT, formulação de caso com base em sintomas traumáticos, planejamento terapêutico, monitoramento de progresso sintomático, e pesquisa clínica e epidemiológica.

Interpretação

1. Estrutura do instrumento:

Total de itens: 20

Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (0 = "nenhuma vez" a 4 = "extremamente")

Período de referência: último mês

 

1.1. Organização em fatores (segundo DSM-5):

  • Critério B (Reexperiência): itens 1, 2, 3, 4 e 5
  • Critério C (Evitação): itens 6 e 7
  • Critério D (Cognições e emoções negativas): itens 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14
  • Critério E (Hiperativação): itens 15, 16, 17, 18, 19 e 20

 

2. Descrição dos fatores:

  • Reexperiência: memórias intrusivas, pesadelos, flashbacks, sofrimento psicológico e reações fisiológicas ao lembrar do trauma.
  • Evitação: esquiva de memórias, pensamentos ou estímulos externos associados ao trauma.
  • Cognições e emoções negativas: culpa, sentimentos negativos persistentes, distanciamento interpessoal, dificuldade de lembrar aspectos do trauma.
  • Hiperativação: irritabilidade, hipervigilância, resposta de sobressalto aumentada, dificuldade de concentração e sono.

 

3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):

Pontuação total: soma dos 20 itens (0 a 80)

 

3.1. Proposta categórica baseada nos critérios diagnósticos do DSM-5 (método por clusters):

Essa forma segue os critérios diagnósticos formais do DSM-5 para Transtorno de Estresse Pós-Traumático. A partir dela, um caso pode ser classificado como provável TEPT se forem atendidas simultaneamente todas as seguintes condições (Lima et al., 2016):

  • Critério B (Reexperiência): pelo menos 1 dos itens de 1 a 5 com escore ≥ 2
  • Critério C (Evitação): pelo menos 1 dos itens 6 ou 7 com escore ≥ 2
  • Critério D (Alterações negativas em cognições e humor): pelo menos 2 dos itens 8 a 14 com escore ≥ 2
  • Critério E (Alterações em excitação e reatividade): pelo menos 2 dos itens 15 a 20 com escore ≥ 2

OBS: Essa abordagem é recomendada quando o objetivo é seguir criteriosamente a definição clínica de TEPT. O ponto de corte utilizado aqui não é a soma total, mas sim a presença de sintomas significativos (escore ≥ 2) distribuídos conforme os critérios diagnósticos.

 

3.2. Pontuação total (cutoff por escore bruto):

Nesse método, soma-se a pontuação de todos os 20 itens e compara-se com valores de corte (“cutoffs”) previamente definidos em estudos psicométricos.

Versão brasileira (Pereira-Lima et al. 2019):

  • ≥36 pontos: melhor acurácia diagnóstica (eficiência geral = 0,80)

 

Nota: valores internacionais sugerem cutoffs entre 31 e 33 pontos na pontuação total do PCL-5 para triagem clínica geral, especialmente em contextos de atenção primária, grupos de risco ou populações não clínicas.

Importante: Esses valores são referenciais, não substituem a avaliação clínica completa. O PCL-5 não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico.

 

4. Mudança clínica e sensibilidade:

  • A versão brasileira demonstrou boa confiabilidade teste-reteste (ICC = 0,87)
  • Não apresenta dados formais de RCI (Reliable Change Index), mas a literatura internacional sugere: mudança ≥5 pontos = resposta ao tratamento, mudança ≥10 pontos = mudança clinicamente significativa

 

5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:

  • Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico clínico.
  • Sempre complementar com entrevista clínica e/ou instrumentos estruturados (ex.: CAPS-5, SCID-5-CV)
  • Possibilidade de falso-positivos ou falso-negativos se usado sem avaliação clínica qualificada
  • Não recomendado para menores de 18 anos

 

6. Sugestões para análise clínica:

  • Escores elevados em reexperiência e evitação sugerem manutenção ativa de sintomas traumáticos
  • Elevadas alterações cognitivas e afetivas apontam para risco de comorbidade depressiva ou distorções de autoimagem
  • Sintomas intensos de hiperativação podem indicar prejuízo funcional relevante e maior risco de desregulação comportamental
  • O perfil de subescalas pode orientar intervenções específicas, como EMDR, Terapia Cognitivo-Comportamental focada no trauma (TF-CBT), CPT ou PE
  • Pode ser integrado com LEC-5 (avaliação da exposição ao trauma, PHQ-9 (depressão), GAD-7 (ansiedade generalizada), WHODAS 2.0 (funcionamento), entre outros

Referências

Lima, E. P., Vasconcelos, A. G., Berger, W., Kristensen, C. H., Nascimento, E., Figueira, I., & Mendlowicz, M. V. (2016). Cross-cultural adaptation of the Posttraumatic Stress Disorder Checklist 5 (PCL-5) and Life Events Checklist 5 (LEC-5) for the Brazilian context. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 38(4), 207–215.

Osório, F. L., da Silva, T. D. A., dos Santos, R. G., Chagas, M. H. N., Chagas, N. M. S., Sanches, R. F., & Crippa, J. A. S. (2017). Posttraumatic Stress Disorder Checklist for DSM-5 (PCL-5): Transcultural adaptation of the Brazilian version. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), 44(1), 10–19.

Pereira-Lima, K., Loureiro, S. R., Bolsoni, L. M., da Silva, T. D. A., & Osório, F. L. (2019). Psychometric properties and diagnostic utility of a Brazilian version of the PCL-5 (complete and abbreviated versions). European Journal of Psychotraumatology, 10(1), Article 1581020.

U.S. Department of Veterans Affairs – National Center for PTSD. (2018). Using the PTSD Checklist for DSM-5 (PCL-5).

Weathers, F. W., Litz, B. T., Keane, T. M., Palmieri, P. A., Marx, B. P., & Schnurr, P. P. (2013). The PTSD Checklist for DSM-5 (PCL-5) – Standard [Measurement instrument]. National Center for PTSD.

Instruções ao paciente

A seguir é apresentada uma lista de dificuldades que as pessoas podem enfrentar após vivenciar uma experiência muito traumatizante. Mantendo o seu pior evento em mente, por favor, leia cuidadosamente cada uma das dificuldades e então assinale a alternativa que melhor indique o quanto você tem se sentido incomodado por essa dificuldade no último mês.

Nome *
Telefone *
E-mail *
Lembranças repetidas, perturbadoras e involuntárias da experiência traumatizante. *
Sonhos repetidos e perturbadores referentes à experiência traumatizante. *
De repente, sentir ou agir como se a experiência traumatizante estivesse realmente acontecendo de novo (como se você estivesse lá de volta revivendo a situação). *
Sentir-se muito perturbado quando algo lhe faz lembrar da experiência traumatizante. *
Apresentar reações físicas intensas quando algo lhe faz lembrar da experiência traumatizante (p. ex., coração bater forte, dificuldades para respirar, suor excessivo). *
Evitar lembranças, pensamentos ou sentimentos relacionados à experiência traumatizante. *
Evitar algo ou alguém que lembre você da experiência traumatizante (p. ex., pessoas, lugares, conversas, atividades, objetos ou situações). *
Dificuldades de se lembrar de partes importantes da experiência traumatizante. *
Ter fortes crenças negativas sobre si mesmo, sobre outras pessoas ou sobre o mundo (p. ex., ter pensamentos como: eu sou ruim, há algo muito errado comigo, não se pode confiar em ninguém, o mundo é um lugar muito perigoso). *
Culpar a si mesmo ou a outra pessoa pela experiência traumatizante. *
Ter fortes sentimentos negativos, tais como medo, horror, raiva, culpa ou vergonha. *
Perder o interesse em atividades que você costumava gostar. *
Sentir-se distante ou isolado das outras pessoas. *
Dificuldades para experimentar sentimentos positivos (p. ex., ser incapaz de sentir felicidade ou de ter sentimentos afetuosos pelas pessoas próximas a você). *
Comportamento irritável, explosões de raiva, ou agir de forma agressiva. *
Arriscar-se muito ou fazer coisas que podem causar algum mal a você. *
Estar "superalerta" ou hipervigilante. *
Sentir-se sobressaltado ou assustar-se facilmente. *
Ter dificuldades para se concentrar. *
Dificuldades para “pegar no sono” ou para permanecer dormindo. *
0.00
0.00
0.00
0.00
0.00

Não sugestivo para TEPT

Sua pontuação total está abaixo do ponto de corte sugerido para provável Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Isso indica que, no último mês, os sintomas relacionados a experiências traumáticas não atingiram intensidade clínica significativa segundo este instrumento.

Ainda assim, é importante considerar que o sofrimento pode existir mesmo com pontuação abaixo do corte, especialmente se houver sintomas específicos que causem prejuízo. Caso existam incômodos específicos, eles podem ser trabalhados pontualmente em contexto clínico. Agende uma consulta!

Sugere presença de TEPT

Sua pontuação total está acima do ponto de corte sugerido para provável TEPT na validação brasileira. Isso indica presença significativa de sintomas traumáticos no último mês.

Esses sintomas podem envolver revivências intrusivas, evitação persistente, alterações negativas no humor e cognição, além de estado aumentado de alerta. Este resultado sugere a necessidade de avaliação clínica aprofundada para confirmação diagnóstica e definição de plano terapêutico. Se precisar de ajuda, entre em contato!

Este instrumento não possui arquivo digital para download.