Inventário de Fobia Social (SPIN)

Descrição

O Inventário de Fobia Social (Social Phobia Inventory – SPIN) avalia sintomas associados ao Transtorno de Ansiedade Social (TAS), especificamente nas dimensões de medo, evitação e sintomas fisiológicos diante de situações sociais. Foi desenvolvido com base em critérios diagnósticos do DSM-IV e modelos contemporâneos de ansiedade social, considerando manifestações cognitivas, comportamentais e somáticas.

 

OBS: Embora o SPIN tenha sido desenvolvido com base nos critérios do DSM-IV, os critérios diagnósticos para o Transtorno de Ansiedade Social permaneceram essencialmente os mesmos no DSM-5 e DSM-5-TR. As dimensões avaliadas pelo instrumento (medo, evitação e sintomas fisiológicos) continuam plenamente compatíveis com a definição diagnóstica atual. As atualizações do DSM-5-TR foram principalmente editoriais e culturais, sem impacto direto na aplicabilidade clínica do SPIN.

 

Tempo médio de aplicação

5 a 10 minutos

 

População-alvo

Adultos e jovens adultos; versão brasileira validada com universitários de 18 a 35 anos

 

Usos recomendados

Triagem de sintomas de fobia social em contexto clínico ou acadêmico, apoio ao diagnóstico de TAS, avaliação da gravidade dos sintomas, monitoramento terapêutico de intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas.

Interpretação

1. Estrutura do instrumento:

  • Número total de itens: 17
  • Tipo de resposta: escala Likert de 5 pontos (0 = nada; 4 = extremamente)
  • Organização em 5 subescalas: (Inadequação Social, Autoestima, Sintomas Fisiológicos, Inferioridade Social e Evitação de Atenção.

 

2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:

Embora o estudo brasileiro não apresente a divisão explícita dos itens por subescala, sugere-se aqui a estrutura da versão original para fins clínicos:

Fator I: Inadequação Social – Reflete o medo e a evitação de interagir com estranhos e participar de reuniões sociais.

Fator II: Autoestima – Relaciona-se ao medo e à evitação de críticas.

Fator III: Sintomas Fisiológicos – Identifica sintomas físicos como sudorese, tremores, palpitações e rubor.

Fator IV: Inferioridade Social – Reflete o medo e a evitação de pessoas em posição de autoridade.

Fator V: Evitação de Atenção – Foca na evitação de ser o centro das atenções e de falar em público.

O estudo brasileiro não apresenta variância explicada por fator, nem análise fatorial confirmatória.

 

3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):

  • Método de cálculo: soma simples dos itens
  • Pontuação total possível: 0 a 68
  • O estudo brasileiro não apresenta pontos de corte validados localmente
  • No entanto, no estudo original de desenvolvimento do SPIN (Connor et al., 2000), foi proposto um ponto de corte clínico de 19 pontos para diferenciação entre casos e não casos de Transtorno de Ansiedade Social. Esse cutoff foi validado com base em entrevistas clínicas estruturadas, apresentando 0,72 de sensibilidade e 0,84 de especificidade.
  • Isso indica que escores iguais ou superiores a 19 sugerem uma probabilidade clínica relevante de TAS, especialmente em contextos de triagem.

 

4. Mudança clínica e sensibilidade:

  • A versão original demonstra sensibilidade a intervenções farmacológicas e psicoterápicas
  • Pode ser reaplicado para monitoramento longitudinal, especialmente em intervalos mensais ou bimestrais, conforme plano terapêutico

 

5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:

  • Não deve ser utilizado isoladamente para diagnóstico
  • Requer sempre complementação com entrevista clínica e instrumentos diagnósticos estruturados (ex.: SCID-IV, MINI-SPIN)
  • A versão brasileira foi validada apenas com universitários; uso em outras populações exige cautela
  • Ausência de análise fatorial e de validade externa na versão brasileira

 

6. Sugestões para análise clínica:

  • Escores altos em Medo indicam hipervigilância e antecipação ansiosa; intervenções podem focar reestruturação cognitiva e dessensibilização gradual
  • Escores elevados em Evitação apontam prejuízo funcional; pode indicar necessidade de treino de habilidades sociais e exposição gradual
  • Sintomas fisiológicos elevados sugerem impacto somático significativo, podendo justificar avaliação complementar de comorbidades (p. ex.: pânico, agorafobia)
  • Útil no planejamento terapêutico e no monitoramento da resposta a tratamento (psicoterapia, farmacoterapia)

Referências

Osório, F. L., Crippa, J. A. S., & Loureiro, S. R. (2009). Cross-cultural validation of the Brazilian Portuguese version of the Social Phobia Inventory (SPIN): Study of the items and internal consistency. Rev Br Psiquiatr, 31(1), 25-9.

Connor, K. M., Davidson, J. R., Churchill, L. E., Sherwood. A., Foa. E., & Weisler, R. H. (2000). Psychometric properties of Social Phobia Inventory (SPIN): New self-rating scale. Br J Psychiatry, 176, 379-86. https://doi.org/10.1192/bjp.176.4.379

Instruções ao paciente

Por favor, indique quanto os seguintes problemas incomodaram você durante a última semana. Marque somente um item para cada problema e verifique se respondeu a todos os itens.

Nome *
Telefone *
E-mail *
Por favor, indique quanto os seguintes problemas incomodaram você durante a última semana. Marque somente um item para cada problema e verifique se respondeu a todos os itens.
Tenho medo de autoridades. *
Incomodo-me por ficar vermelho na frente das pessoas. *
Festas e eventos sociais me assustam. *
Evito falar com pessoas que não conheço. *
Fico muito assustado ao ser criticado. *
Evito fazer coisas ou falar com certas pessoas por medo de ficar envergonhado. *
Transpirar na frente das pessoas me incomoda. *
Evito ir a festas. *
Evito atividades nas quais sou o centro das atenções. *
Conversar com estranhos me assusta. *
Evito falar cara a cara com uma plateia ou dar discursos. *
Faço qualquer coisa para não ser criticado. *
Sentir palpitações cardíacas me incomoda quando estou no meio de outras pessoas. *
Tenho receio de fazer coisas quando posso estar sendo observado. *
Ficar envergonhado ou parecer bobo são meus maiores temores. *
Evito falar com qualquer autoridade. *
Tremer ou estremecer na frente de outras pessoas me angustia. *
0.00

Baixa probabilidade clínica de Transtorno de Ansiedade Social

Sua pontuação sugere baixo indicativo de fobia social clinicamente relevante no momento. Isso indica que, em geral, situações sociais, de exposição ou de interação não têm causado sofrimento intenso ou prejuízos significativos no seu funcionamento cotidiano.

Ainda assim, é possível que algumas situações específicas gerem desconforto ocasional, o que é comum e faz parte da experiência humana. A interpretação deste resultado deve sempre considerar o contexto da sua vida, suas demandas atuais e a forma como você percebe esses desafios.

Caso existam queixas subjetivas importantes, mesmo com uma pontuação global baixa, uma conversa clínica pode ajudar a compreender melhor essas vivências.

Indicativo clínico relevante de Transtorno de Ansiedade Social

Sua pontuação indica um nível clinicamente significativo de ansiedade social, sugerindo a presença de medos persistentes relacionados a situações sociais, de exposição ou avaliação por outras pessoas.

Esse padrão pode envolver preocupações intensas com julgamento, críticas ou rejeição, além de tendência à evitação de situações sociais, o que pode gerar prejuízos no funcionamento pessoal, acadêmico, profissional ou relacional.

Caso existam queixas subjetivas importantes, uma conversa clínica pode ajudar a compreender melhor essas vivências.

Este instrumento não possui arquivo digital para download.