O Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO-A30) é um inventário de autorrelato desenvolvido para avaliar ansiedade social/fobia social (TAS) em adultos, tanto na população geral quanto em contextos clínicos. Ele deriva do CISO-A (Cuestionário de Interacción Social para Adultos) e foi construído dentro de uma perspectiva cognitivo-comportamental e de habilidades sociais, alinhada ao conceito de TAS descrito no DSM (medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho em que o indivíduo pode sentir vergonha ou ser avaliado negativamente).
Tempo médio de aplicação
8 a 10 minutos
População-alvo
Adultos (≥ 18 anos), da população geral
Usos recomendados
Triagem e avaliação dimensional de ansiedade social em: População geral adulta; universitários; pacientes com TAS em contexto clínico; uso em pesquisa. Apoio à avaliação de resultados de intervenção em habilidades sociais, pelo menos em nível exploratório.
1. Estrutura do instrumento:
Número total de itens: 30 itens
Tipo de resposta: Escala Likert de 5 pontos (1 = Nenhum ou muito pouco; 5 = Muito ou muitíssimo)
Organização: 5 fatores, 6 itens cada, totalizando 30 itens:
F1 – Falar em público e interação com pessoas em posição de autoridade
F2 – Interação com o sexo oposto
F3 – Interação com pessoas desconhecidas
F4 – Expressão assertiva de incômodo, desagrado ou tédio
F5 – Estar em evidência e fazer papel de ridículo
2. Descrição das subescalas, dimensões ou fatores:
F1 – Falar em público e interação com pessoas em posição de autoridade: Situações de falar em público, responder a perguntas de professor/superior, participar de reuniões com pessoas de autoridade, representar o grupo em falas públicas e falar com superiores ou figuras hierárquicas.
Escore alto: Forte ansiedade e evitação em falar em público e interagir com autoridades. É o núcleo mais típico de TAS na amostra brasileira.
Escore baixo: Maior conforto em situações de exposição formal e hierárquica.
F2 – Interação com o sexo oposto: Iniciar conversas, convidar para sair, flertar, convidar para dançar, sentir-se observado por pessoas do sexo oposto.
Escore alto: Ansiedade social focalizada em situações amorosas/sexuais, frequentemente associada a evitação de relacionamentos, baixa autoestima em contexto afetivo.
Escore baixo: Maior segurança em interações romântico-afetivas.
F3 – Interação com pessoas desconhecidas: Fazer novos amigos, conversar com pessoas recém-conhecidas, manter contato visual, cumprimentar desconhecidos, participar de eventos onde quase não conhece ninguém.
Escore alto: Dificuldade marcante em iniciar e manter interações sociais novas, risco de isolamento social mais generalizado.
Escore baixo: Maior facilidade para socialização inicial.
F4 – Expressão assertiva de incômodo, desagrado ou tédio: Situações de pedir que o vizinho pare o barulho, reclamar de um serviço (garçom, por exemplo), expressar raiva ou incômodo, dizer “não” a pedidos inconvenientes, dizer que teve seus sentimentos feridos
Escore alto: Padrão de inibição assertiva, medo de confronto, potencial associação com dificuldade de estabelecer limites e risco de maior vulnerabilidade interpessoal (abusos, sobrecarga).
Escore baixo: maior probabilidade de assertividade funcional.
F5 – Estar em evidência e fazer papel de ridículo: Ser criticado, cometer erro na frente de outras pessoas, brincadeiras públicas, sentir-se ignorado, não ser correspondido ao cumprimentar alguém, ser “jogado na cara” por ter errado.
Escore alto: Hiperfoco em humilhação pública e vergonha, sensibilidade extrema à crítica e rejeição.
Escore baixo: Menor temor de embaraço social.
3. Pontuação e faixas de interpretação (cutoffs):
Soma das pontuações de cada subfator.
Escores mais altos → maior ansiedade social nos fatores descritos.
4. Mudança clínica e sensibilidade:
O CASO-A30 demonstrou sensibilidade à mudança em estudos de intervenção em grupo de Treinamento de Habilidades Sociais.
Reaplicação em intervalos compatíveis com a intervenção (p.ex., a cada 4–8 sessões em psicoterapia focada em TAS).
5. Cuidados éticos e limitações de aplicação:
O CASO-A30 não deve ser usado sozinho para diagnóstico de TAS. Os estudos enfatizam a complexidade da avaliação da ansiedade social e a necessidade de instrumentos com boas evidências psicométricas como parte de um conjunto maior de dados.
Deve ser sempre complementado por entrevista clínica, história de vida, observação comportamental e, idealmente, outros instrumentos de ansiedade social.
Amostra de conveniência, coletada no Rio Grande do Sul, com grande proporção de universitários e estudantes de psicologia.
Os autores recomendam explicitamente novos estudos em outras regiões e com pessoas de menor escolaridade.
Não há pontos de corte validados para a amostra brasileira no artigo, o que limita o uso de rótulos diagnósticos baseados apenas em escores.
6. Sugestões para análise clínica:
a) Mapeamento de domínios de maior prejuízo
Comparar os fatores entre si:
F1 elevado → foco em ansiedade de desempenho e autoridade (importante para contexto acadêmico/profissional).
F2 elevado → dificuldades em relacionamento amoroso/sexual; pode orientar intervenções em habilidades de flerte, intimidade, autoestima corporal.
F3 elevado → evitação de novas interações, risco de isolamento social; trabalhar exposição gradual a situações novas, habilidades de iniciação de conversas.
F4 elevado → déficits assertivos; sugere necessidade de treino de dizer “não”, expressar desagrado, negociar conflitos.
F5 elevado → foco em esquemas de vergonha e humilhação, crenças do tipo “vou passar ridículo”, “vão rir de mim”; combina bem com intervenções cognitivas e exposição interoceptiva/social.
Wagner, M. F., Moraes, J. F. D. D., Oliveira, A. A. W. D., & Oliveira, M. D. S. (2017). Análise fatorial do Questionário de Ansiedade Social para Adultos. Arquivos brasileiros de psicologia, 69(1), 61-72. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/184074
Caballo, V. E., Salazar, I. C., Nobre-Sandoval, L., Wagner, M. F., Arias, B., & Lourenço, L. (2017). Validação brasileira do Questionário de Ansiedade Social para Adultos (CASO). Psicologia: Teoria e Prática, 19(2), 131-150. https://doi.org/10.5935/1980-6906/psicologia.v19n2p131-147
A seguir, você encontrará uma série de situações sociais que podem produzir mal-estar, tensão ou nervosismo em maior ou menor grau. Por favor, selecione a opção que melhor corresponde a seu comportamento de acordo com a escala apresentada abaixo.
Grau de mal-estar, tensão ou nervosismo:
Caso não tenha vivido algumas das situações citadas, imagine qual seria o grau de mal-estar, tensão ou nervosismo que lhe ocasionaria e selecione a opção correspondente.
Por favor, não deixe nenhum item sem responder e faça-o de maneira sincera; não se preocupe, não existem respostas corretas ou incorretas. Muito obrigado por sua colaboração.
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