Teste de Identificação de Distúrbios por Uso de Álcool (AUDIT)

Descrição

O AUDIT (Alcohol Use Disorder Identification Test) é um instrumento de rastreio desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar padrões de consumo de álcool potencialmente prejudiciais. Avalia o uso nocivo de álcool, sintomas de dependência e consequências adversas do consumo, sendo utilizado em contextos clínicos, organizacionais e comunitários. A versão brasileira validada por Santos et al. (2012) buscou avaliar sua estrutura fatorial, fidedignidade e estabilidade temporal em uma amostra de universitários.

 

Tempo médio de aplicação

10 a 15 minutos

 

População-alvo

Adolescentes e adultos da população geral, com uso mais comum entre universitários e pacientes em atenção primária

 

Contextos recomendados

Triagem em serviços de saúde, psicoterapia, avaliação em programas clínicos e pesquisas populacionais

 

Usos clínico recomendados

Rastreio precoce de uso problemático de álcool; apoio a decisões clínicas; avaliação em contextos de saúde pública e intervenções breves.

Interpretação

1. Estrutura do instrumento:

10 itens autoadministráveis

Escala de resposta varia por item: frequência, quantidade e consequências (valores de 0 a 4 ou 5, conforme item)

Dois fatores principais identificados empiricamente, conforme a análise fatorial exploratória realizada no estudo de validação brasileira:

  • Fator 1: Frequência e consequências adversas do consumo — agrupa os itens relacionados à quantidade de álcool ingerida e aos efeitos negativos do consumo, explicando 47,5% da variância total.
  • Fator 2: Dependência — reúne itens que indicam perda de controle, tolerância e sintomas relacionados à abstinência, explicando 11,6% da variância.

 

2. Descrição das subescalas:

  • Frequência e consequências adversas do consumo (Fator 1): mede a regularidade do consumo e seus efeitos negativos (itens 1, 2, 3, 7, 8, 9, 10)
  • Dependência (Fator 2): avalia aspectos relacionados à perda de controle, tolerância e sintomas de abstinência (itens 4, 5, 6)

 

OBS: Preencha as questões 2 e 3, transformando as quantidades em “doses”:

  • CERVEJA: 1 copo (de chope – 350ml), 1 lata – 1 “DOSE” ou garrafa – 2 “DOSES”
  • VINHO: 1 copo comum grande (250ml) – 2 “DOSES” – 2 “DOSES” ou 1 garrafa – 8 “DOSES”
  • CACHAÇA, VODCA, UÍSQUE ou CONHAQUE: 1 “martelinho” (60ml) – 2 “DOSES” 1 “martelo” (100ml) – 3 “DOSES” OU 1 garrafa – mais de 20 “DOSES” UISQUE, RUM, LICOR, etc.: 1 “dose de dosador” (45-50ml) – 1 “DOSE

 

3. Pontuação e faixas de interpretação:

  • Escore total: soma das pontuações dos 10 itens (máximo = 40)
  • Não foram definidos pontos de corte no estudo brasileiro de Santos et al. (2012)

 

3.1. Sugestão prática (baseada na pontuação bruta e em diretrizes internacionais):
Para fins clínicos e de monitoramento na prática profissional brasileira, sugere-se o uso dos seguintes intervalos, alinhados à proposta original da OMS (Babor et al., 2001) e coerentes com a estrutura psicométrica verificada na validação brasileira:

  • 0–7 pontos: consumo de baixo risco — geralmente não requer intervenção
  • 8–15 pontos: uso arriscado — pode justificar orientação breve ou acompanhamento
  • 16–19 pontos: uso nocivo — sugere prejuízo funcional e necessidade de intervenção estruturada
  • 20 pontos ou mais: provável dependência — indica necessidade de avaliação diagnóstica formal e possível encaminhamento especializado

 

Esses pontos de corte são baseados na escala bruta total de 0 a 40 e devem ser adaptados ao contexto clínico individual e complementados por avaliação subjetiva e profissional.

 

4. Mudança clínica e sensibilidade:

  • O estudo de Santos et al. (2012) confirma a estabilidade temporal (rtt = 0,94; ICC = 0,96), mas não apresenta dados sobre sensibilidade à mudança clínica, RCI ou MCID
  • Recomendável reaplicação em contextos de monitoramento, com intervalo de 30 a 60 dias

 

5. Cuidados éticos e de aplicação:

  • Deve ser aplicado por profissionais de saúde capacitados
  • Não deve ser usado isoladamente para diagnóstico formal de transtorno por uso de álcool
  • A interpretação deve considerar o contexto clínico, histórico do paciente e dados complementares

 

6. Sugestões para análise clínica:

  • Escores elevados no Fator 2 sugerem risco de dependência fisiológica e necessidade de avaliação clínica aprofundada
  • O perfil de resposta pode guiar estratégias terapêuticas específicas (ex.: intervenção breve para uso arriscado vs. encaminhamento para tratamento especializado)
  • Pode ser combinado com entrevistas clínicas estruturadas, autorrelatos sobre comportamento de risco e instrumentos complementares como CAGE ou ASSIST

Referências

Ronzani, T. M., Mota, D. C. B., & Souza, I. C. W. (2009). Alcohol prevention within primary care in municipalities in the state of Minas Gerais, Southeastern Brazil. Rev Saúde Públic, 43(Supl. 1), 1-11. https://www.scielosp.org/pdf/rsp/2009.v43suppl1/51-61/en

 

Finfgeld-Connett, D., & Madsen, R. (2008). Web-Based Treatment of Alcohol Problems Among Rural Women: Results of a Randomized Pilot Investigation. Journal of Psychosocial Nursing and Mental Health Services, 46(9), 46–53. https://doi.org/10.3928/02793695-20080901-05

 

Magnabosco, M. L. O., Formigoni, M. L., & Ronzani, T. M. (2007). Avaliação de padrões de uso de álcool em serviços de Atenção Primária à Saúde de Juiz de Fora e Rio Pomba (MG), com treinamento de profissionais de saúde para aplicação do AUDIT. Rev Bras Epidemiol, 10(4), 637-47. https://www.scielosp.org/pdf/rbepid/2007.v10n4/637-647/pt

 

Santos, P. S. D., Andrade, A. G. de, Oliveira, L. G. de, & Silva, R. S. da. (2012). Propriedades psicométricas do Teste de Identificação do Uso de Álcool (AUDIT) em universitários. Psicologia: Reflexão e Crítica, 25(3), 647–656.

Instruções ao paciente

Responda às perguntas com base no consumo das últimas semanas. O objetivo é captar o padrão real de consumo e suas consequências, portanto, é essencial que as respostas sejam honestas. Não há respostas "certas ou erradas"; as respostas ajudam os profissionais a planejar intervenções adequadas.

Nome *
Telefone *
E-mail *
Com que frequência você consome bebidas alcoólicas? *
Nas ocasiões em que bebe, quantas doses, copos ou garrafas você costuma tomar? *
Com que frequência você toma seis ou mais doses em uma ocasião? *
Com que frequência, durante o último ano, você achou que não seria capaz de controlar a quantidade de bebida depois de começar? *
Com que frequência, durante o último ano, você não conseguiu cumprir com algum compromisso por causa da bebida? *
Com que frequência, durante o último ano, depois de ter bebido muito, você precisou beber pela manhã para se sentir melhor? *
Com que frequência, durante o último ano, você sentiu culpa ou remorso depois de beber? *
Com que frequência, durante o último ano, você não conseguiu se lembrar do que aconteceu na noite anterior por causa da bebida? *
Alguma vez na vida você ou alguma outra pessoa já se machucou, se prejudicou porque você bebeu? *
Alguma vez na vida algum parente, amigo, médico ou outro profissional da saúde já se preocupou com você por causa de bebida ou te disse para parar de beber? *
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Baixo risco

A pontuação sugere um padrão de uso considerado de risco. Isso significa que, embora possa não haver sinais claros de dependência, o consumo já apresenta potencial para gerar prejuízos à saúde física, emocional ou social.

Nesta faixa, é comum observar aumento de frequência, episódios de consumo mais intenso ou primeiras consequências negativas relacionadas ao álcool. Intervenções breves e orientações específicas costumam ser eficazes para prevenir a progressão do quadro.

Se considerar importante avaliar com mais profundidade sua relação com o álcool e possíveis estratégias de cuidado, entre em contato para agendarmos uma conversa.

Uso de risco

A pontuação sugere um padrão de uso considerado de risco. Isso significa que, embora possa não haver sinais claros de dependência, o consumo já apresenta potencial para gerar prejuízos à saúde física, emocional ou social.

Nesta faixa, é comum observar aumento de frequência, episódios de consumo mais intenso ou primeiras consequências negativas relacionadas ao álcool. Intervenções breves e orientações específicas costumam ser eficazes para prevenir a progressão do quadro.

Se considerar importante avaliar com mais profundidade sua relação com o álcool e possíveis estratégias de cuidado, entre em contato para agendarmos uma conversa.

Uso nocivo

Essa pontuação indica um padrão de uso nocivo, sugerindo que o consumo de álcool já está associado a prejuízos concretos em diferentes áreas da vida (saúde, relações interpessoais, trabalho ou bem-estar psicológico).

Podem estar presentes dificuldades de controle, sentimentos de culpa após beber, impacto no desempenho cotidiano ou conflitos interpessoais. Nessa fase, recomenda-se avaliação clínica estruturada e planejamento de intervenção mais sistemática.

Buscar apoio especializado pode auxiliar na compreensão dos fatores envolvidos e na construção de estratégias eficazes de mudança. Estou disponível para te ajudar nesse processo.

Provável dependência

A pontuação alcançada é compatível com um padrão sugestivo de provável dependência de álcool. Nessa faixa, é comum haver sinais de perda de controle sobre o consumo, necessidade crescente de beber, dificuldade para reduzir ou interromper o uso e possíveis sintomas relacionados à abstinência.

Esse resultado indica a necessidade de avaliação diagnóstica aprofundada e, possivelmente, acompanhamento especializado. A dependência é uma condição tratável, e intervenções adequadas aumentam significativamente as chances de recuperação e melhora da qualidade de vida.

Se desejar apoio profissional para compreender melhor sua situação e discutir possibilidades de tratamento, estou à disposição para acolher sua demanda.

Este instrumento não possui arquivo digital para download.